Você é disciplinado? Então, você sabe praticar magia?

Quem aí já se deparou com a seguinte frase: As coisas acontecem naturalmente, espera que o que é seu virá.

Analise ela por 20 segundos (não precisa muito!), e com isso tu vai entender a desgraceira que ela causou no nosso meio preguiçoso das artes vindouras. É lindo esperar que a resposta “divina” aconteça, soa até como uma autoajuda favorável pra alma e suas ramificações, mas não é bem assim que funciona, ainda mais se tu não souber praticar! E é sobre isso que iremos conversar hoje, disciplina.

Nesses anos tortos que passei pelo caminho que borbulha eu vi vários perfis (incluindo as facetas dos meus), e ao me sentar por alguns minutos com um grupo, eu via todo tipo de gente, os animados, os depressivos, os namastreta (obrigado, Denise! Levarei pra vida essa definição) e até os que abraçavam as árvores. Lindo. Poético, um verdadeiro campo de repouso nas sendas antropológicas; mas algo me chamava a atenção quando ouvia sobre as praticas dessas pessoas: elas não praticavam! Ou pior! Achavam que praticar é ritualizar o tempo inteiro! Achavam que pratica era algo “oculto” feito a cada equinócio ou solstício! Ok, isso é pratica, mas não espere bons resultados fazendo o mínimo. Não se ache a castanha de ouro do universo, tu não é.

Vou dar um exemplo. Quando queremos passar em um processo seletivo, entendemos que necessitamos de uma quantidade de horas-bunda de estudos para poder alcançar o nosso objetivo. Ok? Ta bem. Da mesma forma, quando queremos que um negócio prospere, além de termos de nos capacitar para aquele serviço, fazemos pesquisa de mercado, nos informamos, estudamos, quebramos a cara e choramos de agonia para no dia seguinte levantarmos e continuar. Tudo certo até aqui? Bom! Agora me diz por que nas praticas mágicas isso seria diferente? – vou reforçar aqui que tu NÃO É O ALECRIM DOURADO DOS ESPÍRITOS -. Então, essa é a grande “chave das revelações”. A grande maioria das pessoas tem preguiça, são indisciplinadas e acham que jogar um punhado de fumo na fogueira fará dela o novo oráculo-catalisador-de-espíritos. Amado, para! Acorda! Vá oferendar uma comida, vá cavar uns buracos no mato ou encruzilhada, vá se jogar no meio do nada por 1 noite, oferende seu café, sua bebida, converse com teus mortos, levante e use tuas mil ervas de banho, mas faça algo que não seja só sentar, ler e debater na internet sobre o quão conhecedor de meias palavras tu é! (sim, foi uma bronca, viu? Não doeu tanto assim).

Mas calma, eu dou o tapa e mostro o cinturão de pregos. Pra isso, vou dar alguns conselhos de quem já passou por esse “perrengue-cult” e agora está na roda de chão batido passando o chifre de cachaça pra vocês. Vou enumerar bonitinho, para que quem for disléxico ou tenha TDAH – COMO EU – possa voltar e seguir o passo-a-passo sem surtar muito.

1 – Aprenda a relaxar a mente

Parece idiota. Mas não é. Saiba alguma pratica meditativa, e essa talvez seja a dica mais valiosa que vá aparecer aqui. Entenda o que é meditar, e o que é visualizar – são duas coisas MUITO diferentes! – Visualizar não é meditar. Visualizar NÃO é meditar. De novo? Visualizar NÃO É MEDITAR. Com isso em mente, procure um local confortável pra si, que não seja deitado – tendencionando a preguiça – e que esteja pelo menos em privacidade para não ser interrompido. Tu pode usar uma vela, para olhar para chama, um ponto na parede, um quarto todo escuro, um espelho na tua cabeceira, ou qualquer outro método que seja conveniente pra si. Eu costumo apenas sentar em algum canto de frente para a parede, no escuro, com os braços sob as pernas e focar minha atenção na respiração. Percebendo o ar que entra, e sai dos meus pulmões/diafragma. Os pensamentos que vierem, eu apenas ignoro e continuo focando na respiração. Para quem tem longos cabelos, use do pentear como uma forma de “transe meditativo” (não entre em transe! Volta pro chão!), enquanto penteia foque sua atenção na respiração e movimentos das mãos, não pense em nada, seja apenas fluído. Faça isso por 15 minutos. Não é necessário mais do que isso.

2 – Entenda que tu é um ancestral vivo

Sim, é lindo saudar os mortos, e é – para mim – estritamente necessário em minhas praticas. Mas saiba saudar a si. Saiba cuidar de si, das coisas que ingere, do teu corpo e da tua mente. O autocuidado é a estratégia básica para uma boa comunhão com tudo que te cerca. Tenha um plano de exercícios. Nós não evoluímos esses tantos e lá cacetadas de anos sentados esperando as coisas caírem dos céus! Levanta e faz alguma coisa por si, para si, pro seu corpo, nem que seja se alongar, correr e cuidar melhor do que põe pra dentro da tua boca. Se tu é um ancestral vivo, honre a tua carne antes de honrar teus mortos.

3 – Alimentação consciente

Já que falamos aqui sobre cuidar do que ingere, use dessa vez uma boa dose de consciência e sensibilidade para traçar o caminho do teu alimento. Como ele chegou até tua mesa? Qual o sacrifício foi feito? (ex: quem pagou por ele? Quem plantou/matou ele?) Quem o preparou? Em sua mente faça essa trajetória de forma singela, e com toda a atenção que possa dar, agradeça. Se o alimento foi preparado por ti, agradeça a si e ao teu corpo, e aos conhecimentos que adquiriu por saber prepara-lo. Honre também o bicho morto que tu está comendo. Lembrem-se, bruxaria é mais do que um incenso queimando numa sala.

Nessa hora, eu em particular, tenho uma reza/prece/inspiração que sussurro no alimento. Use dos teus augúrios e criem algo (sim, está tudo bem! Não precisa seguir apenas o livrinho, inspiração é uma incrível ferramenta mágica!)

4 – Tenha um canto para o espírito do teu lar

Genius Locci, Tomte, espírito do lugar, ou seja lá o nome que dão dentro do seu sistema de praticas (e se não segue nenhum, calma que eu ajudo). Saiba ter um canto para oferendar algo a esse ser do lar. Mas o que seria esse ser? Pois bem, cada lugar possui um ou mais espíritos habitando-o. E esses espíritos influenciam muito o ambiente do teu lar. Exemplo, já entrou em uma casa e ali tu se sentiu pressionado, ou então vigiado, ou então mal? Pra baixo? Triste? Além das energias liberadas por quem vive ali, o espírito do lugar pode ser altamente influenciado. Ele pode proteger ou desgraçar uma casa. Portanto, saiba separar um pequeno “altar” para esse ser. E não esconda o altar! Esse local costuma ser sempre visto, visitado, então eu aconselho que seja na porta de entrada, ou até mesmo na cozinha, o coração de um lar, a chama que aquece e nutre os seres que ali vivem. O que oferendar? Um pouco do que tu prepara para comer, ou então biscoitos e pães. Tenha também sempre água limpa (troque todos os dias), um incenso natural (eu vou acreditar, do fundo do meu coração, que tu já aprendeu a fazer incenso natural, usando ervas secas e resinas, com todos esses anos de ascensão da internet!), uma pequena vela de Rechaud. E boa vontade para falar com o ser, e conhecer o que tem ali dentro. É simples, nada caro, nada difícil.

5 – Seja constante

Aqui é a parte mais centrada de todas as dicas, constância! Nada adianta tu debulhar um vasto material se tuas praticas começam com um dia sim e quinze dias não. Pratique diariamente, por pelo menos 3 meses para sentir os efeitos de alguma pratica. Aqui é aonde tu irá se diferenciar entre ser praticante e ser um teórico. Praticar requer constância, maturidade e sacrifícios. Lembra que falei sobre dar algo, como estudar para passar em um vestibular, ou então se capacitar para ter um retorno em negócios? Pois então, pratique e tenha seus resultados, pare de se aventurar nos resultados de outros, tenha teus voos. E aguente tuas quedas.

Como podem ver não é nada muito difícil, nada tão pragmático assim que não dê para adaptar e fazer seus próprios métodos. É claro que não dispenso uma boa dose de entendimento teórico sobre as coisas, me ajuda a ter insights sobre muito do que já vivencio. Mas para aqueles que estão perdidos, uma pequena trilha de tijolos amarelos deve ajudar a te pôr em um caminho, mas pra onde ele vai só depende de ti.

Lembrando que magia boa, é aquela que funciona. Faça teus testes, crie tuas bolhas.

4 thoughts on “Você é disciplinado? Então, você sabe praticar magia?

  1. Thiago says:

    Pior que esse tipo de preguiça é comum, né. Vejo cada vez mais, tanto no meio ocultista, quanto fora.
    Há uns anos atrás eu comecei a notar, entre amigos e conhecidos, essa mudança de uma fé para outra. Vi primeiro isso acontecer com o budismo. Todo mundo iluminado, a meditação uma vez por semana e a centena de postagens no Facebook.
    Depois foi a vez da Umbanda. Participar da gira uma ou duas vezes por mês, e quando precisavam de algo só pediam (ou pagavam) para alguém fazer o trabalho e pronto: sou uma pessoa espiritual.
    Hoje em dia eu vejo essa mudança indo em direção às plantas de poder (cogumelos, ayahuasca).
    Eu sinto que as pessoas simplesmente vão para onde dá menos trabalho, onde o se “espiritualizar” é mais rápido e requer menos esforço pessoal (de preferência que se possa pagar para alguém fazer todo o trabalho).

  2. Karol says:

    Adorei e me vi nisso! Nasci e cresci ouvindo que sou bruxa por genética e tenho tudo em mãos. Pois bem, chegou a hora e o momento é JÁ! Vou me disciplinar!

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