Uma proposta de banimento com os espíritos romani

 

Desde que ouvimos falar pela primeira vez que magia não está apenas nos livros de fantasia ou nos filmes que nos fertiliza a imaginação, começamos a ler e buscar mais referências. É realmente muito interessante e divertido, os aprendizados são diversos, porém magia acontece no fazer. A leitura não deve ser menosprezada, mas ela é base para o nosso salto (e eventuais quedas também).

 

“Entendido, eu não quero apenas ler, mas por onde começar?” 

 

Todos nos perguntamos isso em algum momento e creio que não exista uma resposta pronta. Há inúmeros caminhos. A maioria deles não servirá para compor aquilo que queremos nos tornar, mas certamente cada um tem ensinamentos muito próprios e formas muito particulares de transmitirem tais lições. Pisamos em um campo onde não há certo ou errado apenas o mais adequado e o mais necessário para o momento.

Muitos professores aparecem na nossa jornada, alguns são tremendamente inesperados. Há alguns anos fui apresentado a uma família romani e desenvolvemos uma relação de amizade. Certa vez, os Kalon Latatchos decidiram ensinar alguns ensinamentos de sua cultura a amigos próximos e esse foi o início da minha jornada de aprendizado na magia e espiritualidade cigana. Mas é óbvio que eu não estava satisfeito com encontros e rituais mensais. Naquele momento, tremendamente empolgado em começar uma prática mágica, busquei quais exercícios fazer diariamente, anotá-los e analisar como os diferentes campos se complementariam. O Hermetismo estava ao alcance das mãos e seus conceitos eram aplicados em rituais gentilmente cedidos na internet por ordens thelêmicas. A Magia do Kaos era outra estrada acessível. Usei as ferramentas que tinha à mão para iniciar a aventura.

Tenho plena certeza que falo com muitas ovelhas desgarradas do rebanho. Fomos feridos ao longo de nossa formação cristã, por isso, entendo a rejeição que sentimos quando nos deparamos com símbolos desse imaginário. Engoli o orgulho e forcei-me a praticar o famoso Ritual menor do Pentagrama diversas vezes. Ele é muito potente, mas sua realização era para mim sempre fruto de uma concessão. Quais outras opções eu tinha? O Rubi Estrela? Interessante, experimentei, mas também não era para mim. O Ritual Gnóstico do Pentagrama? Eficiente em certa medida, mas simples demais. Eu queria algo que fosse meu.

Lembram o que falei de professores inesperados? Então, uma delas foi a pombagira Rainha do Inferno. “Quer fazer magia? Sabe ler, não sabe? Então lê de tudo um pouco, escreve o que entender, faz o que tem que fazer e aí cria o seu caminho.” Acho que foi mais ou menos isso o que ela disse. Eu segui o conselho à minha maneira.

O ritual que vou apresentar é uma mescla do RmP e RGP substituindo imagens e nomes do nosso imaginário judaico-cristão pelas divindades elementais que me foram apresentadas enquanto aprendia magia e feitiçaria romani com os Kalon Latatcho. Sugiro que aqueles que quiserem experimentar este ritual desenvolvam uma relação com os espíritos ancestrais desse povo (uma prática devocional a Santa Sara Kali já é um bom começo, uma prática oracular com o Lenormand, ainda que este não seja propriamente um baralho criado pelos ciganos, diversos espíritos desta linhagem identificam-se com ele). É interessante registrar como seu corpo e mente estão antes e após o ritual. Ele foi e ainda é muito útil para mim, estou apenas compartilhando-o na expectativa de somar à caminhada dos que estão na jornada. Vamos lá:

 

  1. De pé, erga as mãos ao topo da cabeça, inspire e visualize uma crescente esfera de luz branca enquanto vocaliza IIIIIIIIIIIIIIIiiiiiiiiii  até esvaziar os pulmões.
  2. Inspire, leve as mãos à garganta e visualize uma crescente esfera de luz azul enquanto vocaliza EEEEEEEEEeeeeeeeeee até esvaziar os pulmões.
  3. Inspire, leve as mãos à frente do peito e visualize uma crescente esfera de luz verde enquanto vocaliza AAAAAAAAAaaaaaaa até esvaziar os pulmões.
  4. Inspire, leve as mãos abaixo do umbigo e visualize uma crescente esfera de luz laranja enquanto vocaliza OOOOOOOOOOOoooooo até esvaziar os pulmões.
  5. Inspire, leve as mãos até a região genital e visualize uma crescente esfera de luz vermelha entre sua genitália e o ânus enquanto vocaliza UUUUUUUUUUuuuuuuu até esvaziar os pulmões.
  6. Tendo feito a descida por esses pontos, repita o processo agora subindo. Quando retornar ao topo da cabeça, visualize a esfera de luz branca tornando-se gradativamente violeta conforme vocaliza IIIIIIIIIIiiiii até esvaziar os pulmões.
  7. Desenhe no ar à sua frente enquanto visualiza o pentagrama. Para cada reta da estrela, vocalize IIIIIIEEEEEAAAAAOOOOOUUUUUU.
  8. Repita esse gesto agora à sua esquerda, depois vire-se na direção contrária à original e enfim à sua direita. Você está girando no sentido anti horário. É mais potente se você imaginar que todos os pentagramas se tocam formando uma espécie de gaiola ao seu redor.
  9. De volta ao ponto original, aponte para frente e vocaliza BAAAAAARVAAAAAL – Barval é o próprio ar e seu espírito, você escolhe qual máscara ele terá no seu ritual; eu gosto de imaginar um carcará ou urubu de asas abertas no chão à minha frente.
  10. Vire para esquerda, aponte para o chão e vibre PAAAAAANUUUUSHIIIIIIIII – Panushi é a própria terra, aqui um espírito masculino. Gosto de imaginá-lo como um caititu ou porco do mato.
  11. Vire para a posição contrária à inicial e vocalize NIIIIIIIIVAAAAAASHIIIIIII – Nivashi é a própria água e seu espírito feminino, gosto de imaginá-la como uma sucuri.
  12. Vire para a direita e vocalize AAAAAAAGUIIIIINIIIIIII – Agní é o próprio fogo e seu espírito, gosto de imaginá-lo como uma grande onça preta.
  13. Enfim, de volta à posição inicial, refaça a visualização e as vocalizações de cada esfera como detalhado inicialmente.

Dedico este aprendizado aos antigos companheiros de jornada na Kumpania Kalé Rothz Yag, meu amigo Cigano Yuri Soares e à minha amiga, professora e madrinha Kalin Morgana. Que Duvel Baron abençoe nossa caminhada e Santa Sara Kali, a virgem negra que veio das águas, cubra-nos com seu manto azul de bênçãos! Que tenhamos todos muito ouro para guardar, muita prata para gastar e muito cobre para doar! Optchá!

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