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Um vislumbre na encruzilhada

Olhei através do globo e, cristalino, ele refletiu. Vi não foi o turbilhão de luzes distorcidas, as sombras de esquinas passadas ou a fome do que o destino reserva adiante. Escutei o sussurro dos fantasmas e experimentei a ressurgência das brumas de eras passadas.

Eu contemplei o espírito do teu tempo. Eu contemplei o próprio tempo espiralando qual serpente soberana ao redor da árvore daomeana. Bebi o líquido que pinga daquela língua bifurcada. Senti sobre a minha cara a umidade de brancas nebulosas do fundo da cabaça assopradas. Eu respirei o primeiro fôlego ao pé do baobá.

Eu fiz a travessia de volta. De lá, retornei para cá. Eu dei a volta. Eu aprendi a girar. Eu fui ao fundo de cada sol e perguntei se queriam que eu lhes ensinasse como circular. Tudo rodou. Enfim, tomei a minha própria estrada sem nunca mais engatinhar.

Contemplei a primeira divisão. O um tornou-se dois. Vi a rainha de três cabeças parada no ponto em que o caminho se rasga. Três luas na ponta da língua da cobra. O segredo da quarta na umbra da boca fechada. O desejo que torna duro o falo desaguando no orgasmo da peçonha em um oceano subterrâneo e raso. Prole da orgia noturna, faço-me nascido daquele útero ungido pela pomada que verte do chifre oco. Presente do negro bode na mata. Mistério que me permite o vôo. Moinho girado. Caminho traçado. Acordo cruzado. Noite que vira madrugada. Gente que vira bicho na décima quinta badalada.

 

Crédito da imagem: Pinterest

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