Quer meditar? Pergunte-me como.

 

A prática mágica precisa, dentre outras coisas, de foco. A capacidade de concentração não deve ser subestimada. Se a mente não puder minimamente parar em um objetivo por alguns instantes, dificilmente se chegará muito longe. Aqui, podemos nos lembrar da analogia com o macaco. Este animal pula incessantemente de galho em galho. Nossa mente agitada em pensamentos se comporta como esse macaco. Porém, para uma prática mágica consistente, precisamos controlar essa agitação.

Por sorte existem maneiras de se “domar” o macaco.  Uma delas está aí é muito tempo e é amplamente divulgada, embora muitas vezes de maneira fantástica e completamente descabida. Falo da meditação.

Bem, meditar não é um bicho de sete cabeças. Existem, evidentemente, técnicas avançadas e difíceis de meditação. Vamos deixar essas para os monges. O que mais nos interessa é a meditação básica. Esta técnica é relativamente simples e pode ser realizada por qualquer pessoa. Além disso, seus benefícios são inúmeros.

Então, como meditar?

Segue um guia conciso:

1. Sugiro que comece pequeno. Separe cinco minutos. O tempo de meditação pode ir aumentando ao longo do tempo (vá  testando novos limites lentamente). Não se preocupe em ficar uma hora meditando, muito menos duas ou três. Acredito que períodos, por exemplo, de 20-30 minutos diários sejam bem bacanas.  Aplicativos de celular com alarme ajudam.

2. Faça disso um hábito. É preciso exercitar esse “músculo” sempre. Por isso, medite todos os dias. Você vai pular um dia ou outro. Está tudo bem. Mantendo o costume, em pouco tempo a meditação entrará na sua rotina.

3. Encontre um local adequado. Este local deve ser confortável e silencioso. É importante que seja privativo. Pode ser um quarto, uma sala. Se você divide a casa com outras pessoas, peça para não ser importunado.

Cadeira de meditação

4. Ache uma postura. Uma postura boa não te deixa nem tenso demais e nem relaxado demais. Geralmente recomenda-se a posição de “flor de lótus”, pois esta é confortável e fácil de se reproduzir. A coluna deve ficar ereta, mas não esticada de maneira forçosa. Ache a retidão orgânica do seu corpo. Não se abstenha de usar recursos. Existem banquetas, almofadas e cadeiras de meditação. Experimente esses acessórios. É possível também meditar deitado, mas não faça isso na cama (para não dormir). Se preferir fazer assim, fique com as costas para o chão, palmas das mãos para o céu e deite por cima de um tapete de Yoga. Também dá para meditar na cadeira do escritório: mantenha a coluna ereta e as mãos sobre as coxas, com toda a extensão dos pés tocando o chão.

Um banco próprio para a prática da meditação.

5. Coloque uma música ou um som ambiente (opcional). Tem gente que gosta de meditar ao sim de cítaras e tambores ou ainda ouvindo sons como o barulho da chuva. Isso fica totalmente ao gosto do freguês. Experimente.

6. Feche os olhos (opcional). Manter os olhos abertos ou fechados é uma questão, nesse momento, totalmente facultativa. Novamente, veja o que te ajuda mais. Geralmente, iniciantes ficam mais confortáveis com os olhos fechados.

7. Inspire profundamente e expire longamente. Faça isso algumas vezes até estar bem relaxado. Não há um tempo certo, mas se você fizer umas quatro ou cinco respirações assim, provavelmente relaxará o suficiente para começar essa prática simples.

8. Respire e expire normalmente. Não faça esforço. Tente não puxar demais ou de menos. Procure não se preocupar em respirar e expirar. Ache esse equilíbrio. Achando-o, comece a contar. Uma respiração completa (inspiração e expiração) deve equivaler a uma unidade de contagem. Ou seja, conte 1 enquanto inspira e expira, depois conte 2 para um novo ciclo de inspiração e expiração e vá assim até dez. Chegando ao dez, comece do 1 novamente. Essa técnica te ajudará a se concentrar na respiração e a focar apenas nisso. Evidentemente, surgirão pensamentos e distrações. Não lute contra eles. Assim que perceber que estão ocupando sua atenção, apenas volte a se concentrar na respiração.

9. Quando o alarme de tempo tocar ou quando você estiver satisfeito, inspire e expire fundo uma última vez. Comece a movimentar lentamente e com delicadeza os dedos, as mãos, os pés e todo o corpo. Seja gentil nesse despertar. Com cuidado, abra os olhos (caso os tenha fechado). Levante-se com calma e tenha sempre um apoio próximo.

De maneira muito direta, esta é uma técnica básica. Sugiro que tente. Aposto que em pouco tempo muitos terão adicionado essa prática aos seus exercícios diários. Acredito também que logo perceberão as vantagens de manter a meditação como algo habitual.

É importante, pare encerrar, notar que no princípio podem aparecer alguns problemas:

– Não conseguir focar: é natural, vá insistindo. Não há mágica possível aqui. Persistência e atenção são as ferramentas das quais você precisa.

– Dormir na meditação (mesmo sentado): provavelmente indica o que você está cansado ou que está meditando em horários mais complicados, como tarde da noite ou depois de uma refeição pesada. Durma bem, coma em intervalos regulares e separe um horário confortável para meditar. Observando essas coisas, o sono deve passar.

– Incômodo pela postura: é natural que a gente demore um pouco para se acostumar a algumas posturas. Por exemplo, a posição de flor de lótus quando está levemente desajustada pode causar dormência em um dos pés. Isso é questão de ajuste fino. Um incômodo muito forte ou persistente, entretanto, alerta para o fato de que ajustes mais sérios precisam ser realizados. Não insista em posturas que causem dor ou desconfortos. Nesse caso, procure um tutor para auxiliar na obtenção de uma postura mais adequada.

Basicamente é isso. Uma vez que você domine essa técnica, não precisa correr para aprender uma mais avançada. Na verdade, o tipo de meditação que sugiro aqui pode ser mantido por longos períodos como exercício e ainda assim revelar frequentemente novos benefícios. Muitas vezes uma boa ideia é manter as coisas simples, porém eficazes.

 

Imagem de Binja69, Pixabay

Bancos de meditação, imagem de pazemgaia.com.br

 

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