Mulheres e Espiritualidade: Um guia prático de segurança.

A espiritualidade é um caminho de autodescobrimento, para quem almeja a felicidade, o bem estar e comunhão com o divino. Mas isso nem sempre tem sido verdadeiro para as mulheres. Saiba como se precaver dos obstáculos mais comuns das jornadas espirituais femininas.

—Autoria coletiva do projeto Roca das Moiras, do Espelho de Circe – Mulheres.—
1 – Quando for a algum local de prática (loja, ordem, terreiro, etc) procure indicações, prefira ir acompanhada com alguém de sua confiança ou, no mínimo, informe a alguém onde é possível encontrá-la e o horário que você deve retornar.
2 – Esteja consciente de qualquer tipo de pressão. Qualquer pressão para se tomar uma decisão rápida, sobre se filiar ou sobre o envolvimento em qualquer atividade.
3 – Fique ligada de qualquer líder que se autoproclame possuidor de poderes especiais ou divindade. Fique atenta com o glamour desta percepção de poder. Às vezes o “poder” da pessoa é só o de manipulação dos outros.
4 – Desconfie de lideranças que fazem você se sentir muito especial. Esta pode ser uma manipulação básica: ao fazer você acreditar que é especial, é possível fazer você acreditar em qualquer coisa para manter esta crença agradável.
5 – Cuidado com o discurso de “Alma Gêmea”. Esta é uma manipulação absurdamente frequente nos casos de abuso.
6 – Se o grupo é fechado, muito provavelmente haverão membros de um círculo interno. A questão é descobrir o grau de independência destes membros (se não seguem ordens cegamente).
7 – Preste atenção na forma em que está sendo recrutada (e em como as outras pessoas são recrutadas). Questione-se se a meta final do processo de reforma de pensamentos não é lavagem cerebral.
8 – Tipicamente, seitas podem vir a explorar seus membros financeiramente, fique alerta para entender se a troca é justa. Uma vez dentro do grupo, fique atenta às explorações psicológicas e sexuais.
9 – Um aspecto muito frequente de seitas abusivas é a ideia de que se você deixar o grupo, coisas terríveis acontecerão com você – desde ameaças físicas ou espirituais (trabalhos e deuses zangados ).
10 – Seitas abusivas buscam isolar seus membros de seus amigos e familiares.
11 – Seitas abusivas tendem a considerarem que são “o único caminho”, e que são as únicas capazes de mudar o mundo.
12 – Qualquer trabalho sério de espiritualidade visa o bem estar físico e emocional de todas as pessoas envolvidas. Fique atenta a líderes que: a) estão em conflitos constantes com outras pessoas e grupos (porque esta é uma estratégia de distração dos problemas do próprio grupo), b) forçam “escolhas melhores” que as suas próprias, c) que constantemente te diminuem (dizendo que você não sabe, ou não consegue decidir, ou fazer algo direito).
13 – Preste atenção no caráter das pessoas envolvidas: como ninguém dá o que não tem para si, é bom observar se suas expectativas correspondem às realidades daquelas pessoas.
14 – Fique atenta a como a liderança responde às críticas. Sinais de arrogância e discursos de infalibilidade são grandes alertas.
15 – Geralmente (e preferencialmente) os orientadores espirituais são escolhidos e não autoproclamados. Conhecer as motivações por trás de declarações de liderança é vital.
16 – A indução sexual não é a única forma de se elevar muita energia. Disciplinas, jejuns e oferendas são alternativas eficazes em gerar energia, para trabalhos e operações mágicas, e muito mais seguras de que você não está sendo usada.
17 – Fuja de caminhos que estão cheios de deuses mesquinhos, inseguros e vingativos. Geralmente tem alguém muito humano ganhando com isso.
18 – Uma pessoa que “sabe” muito não é necessariamente uma pessoa que “aplica o que sabe”. Um burro carregado de livros é só um burro carregado de livros. Fique atenta com a distância entre o saber e o fazer.
19 – Grupos que utilizam enteógenos devem ter formas de proteger seus membros nos momentos de fragilidade. Não há desculpa para o abuso de pessoas em estado de fragilidade. Todo cuidado é pouco.
20 – Falou mal de uma mulher, falou de todas. Não tenha a ilusão de tratamento diferenciado.
21 – Informe-se mais. Pergunte. Desafie as ideias. Leia qualquer material que é considerado “banido” pelo grupo.
22 – Troque ideias com as outras mulheres do grupo (e também fora dele!). Crie relações de confiança. Quando você se isola, você se torna uma presa fácil.
23 – Vamos reforçar uma ideia aqui? Não existe pênis mágico. Sexo livre é uma teoria muito bonita, mas nossa sociedade e nossa cultura atrelam ao sexo vários outros aspectos dos quais nem sempre estamos preparadas. De toda forma, sexo livre acontece com menos complicações fora destes grupos. Forçado, então, é motivo para correr.
24 – Fique de olho em pessoas paranóicas. Aquelas que proclamam aos quatro cantos que todo o infortúnio que passaram na vida foi causado por uma traição ou ataque mágico.
25 – É comum muitos desses líderes aliciadores e/ou charlatões passarem por momentos em que ficam agressivos e depois culparem a “entidade”.
26 – Em casos de possessões jamais permita toques íntimos e que possam lhe causar desconforto. Chame o responsável pela casa imediatamente para tomar providências. Ainda nos casos de possessão, informe imediatamente aos dirigentes caso “a entidade” lhe assedie em favor do médium.
27 – Preste atenção em como as pessoas se relacionam com seus parceiros (namoradas, esposas). Existem aí muitos indicativos para se tomar de base: a forma em que parceiros são tratados ou mencionados revelam muito ao olhar atento. Se fala mal da namorada ou da esposa, dá pra imaginar o que falaria de alguém com quem tem vínculo menor.
28 – Fique atenta a si mesma: você está confortável nesse novo grupo? Sente algum aspecto da sua vida progredindo? Gosta da companhia dessas pessoas? Confia nelas? Muitas vezes se estamos passando por uma situação de abuso ficamos em negação, desconsiderando a validade dos nossos sentimentos e esperando que a situação melhore. Não há nada de errado em concluir “isso aqui não me faz bem, não é pra mim” e cair fora.
29 – Cuidado com juramentos. Em especial qualquer um que se denomine “eterno”. Conheça o peso da sua palavra empenhada e saiba também analisar o empenho da palavra dos outros. Portanto, demore-se o quanto for necessário nesta decisão e lembre-se que esta é uma via de mão dupla.
30 – Esteja consciente de que tudo é uma troca. Saiba o preço da sua contribuição antes de se empenhar num caminho.
31 – Sempre bom lembrar: pergunte, pergunte e pergunte mais um pouco. Nunca se comprometa ou faça nada enquanto estiver com dúvidas. Uma pessoa relutante em te responder de forma direta ou clara só tem dois motivos: ou ela não sabe a resposta ou ela não quer que você saiba.
32 – Deuses não são monopólios. Não existe ser humano capaz de dominar o contato direto natural que você tem com o que você crê.
33 – Ao identificar sinais de violência física, psicológica ou patrimonial procurar Centros Especializados da Mulher de sua cidade para acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico necessário.
34 – Assim como poder ajudar é uma honra, encontrar ajuda é uma benção. Aceite ajuda. Você é merecedora do seu bem estar físico, mental e emocional.

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