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Escuta Empática

Estes dias, eu estava observando como temos dificuldade em falar sobre o que sentimos ou escutar o que o outro sente. O fato é que temos uma cultura pautada em não mostrar nossa vulnerabilidade aos demais. Normalmente pensamos que mostrar nossas fragilidades é uma ferramenta para alguém utilizar contra nós, até mesmo as pessoas que amamos.
Quantas vezes as pessoas com quem moramos nos falam alguma coisa que não lembramos depois ou que não escutamos realmente? Isso é comum quando o outro fala alguma coisa que mexe com as nossas feridas de experiências ruins, experiências que nos deixaram marcas e não queremos falar sobre. Não queremos falar sobre o que realmente nos incomoda, afinal não podemos mostrar nossas fragilidades, nossas dores.
Quando escutamos algo que nos leva consciente ou inconscientemente a sentimentos ligados a memórias negativas, ou mesmo traumas entramos em estado de alerta. Esta palavra ou conjunto de palavras, isto é, este gatilho emocional nos faz reagir como se estivéssemos sendo “atacados”, assim interpretamos qualquer coisa que esteja sendo dita pelo nosso próprio viés de confirmação reagindo de maneira defensiva.
Para nos comunicar de maneira efetiva é muito importante desenvolvermos uma boa escuta, desta forma conseguimos nos conectar com as pessoas. Quando pesquisei o significado de ouvir e escutar, notei uma diferença entre estas palavras. Ouvir nada mais é do que captar o som de algo, neste caso, do que estão falando. Isso é o que os nossos ouvidos fazem de maneira natural. Enquanto que escutar é ouvir com atenção, compreender aquilo que está sendo dito.
Como vocês podem perceber, nos deparamos novamente com a presença. Se eu não estou presente como vou escutar? Como vou ouvir com atenção?
Podemos ver que a presença é fundamental para o nosso desenvolvimento de autoconhecimento e de relacionamento com as demais pessoas. Na Comunicação Não Violenta (CNV), a escuta empática é muito importante para conseguirmos nos conectar as pessoas, é dar a oportunidade de a pessoa mostrar sua vulnerabilidade sem que ela se sinta julgada.
Mas o que é “escuta empática”? Na CNV, dizemos que quando você está em um diálogo ou conflito você escolhe qual tipo de “orelha” você utilizará para escutar a outra pessoa. Será que é a orelha de juízo de valor ou a orelha da empatia?
Uma escuta presente é fundamental para uma comunicação clara, onde as pessoas que estão envolvidas possam compreender o que outro quer passar, desta maneira podendo sentir-se seguros para mostrar sua vulnerabilidade. Além de terem a oportunidade de esclarecer o que não foi dito como queria.
Um exercício muito legal para que você possa aprender a trabalhar a sua escuta empática é: quando estiver ouvindo outras pessoas, especialmente se não estiver envolvido no meio de uma discussão, perceba como você sente? Como as informações transmitidas chegam até o seu corpo? O que te toca?
Observar isso é uma maneira de praticar a escuta empática de forma mais consciente. Normalmente quando estamos envolvidos em conflitos temos mais dificuldade de realizar este exercício, principalmente quando ainda não estamos acostumados a praticar a CNV. Você também pode observar isso e fazer essas perguntas quando estiver assistindo uma palestra ou até mesmo em frente à televisão. Tente trazer isto para a consciência toda vez que lembrar. Depois, tente perceber o que o outro está precisando naquele momento, porém não consegue expressar. Sabe quando você está lendo um livro e você precisa interpretar as entrelinhas, a profundidade daquela arte que está a sua frente. Cada pessoa também é como um livro, porém com uma complexidade e uma profundidade ainda maiores. Você não vai adivinhar, mas perceber o que ela está precisando.
Você precisará baixar os sons da sua cabeça, abster-se de ver o mundo com a sua persona própria, ou seja, utilizando sua “lente” de ver o mundo, para assim conseguir ver a partir da percepção do outro. Deste modo, pelo som, palavras e gestos você consegue ver muito além de uma pessoa que está gritando ou julgando. Você percebe esta pessoa que está em momento de profunda dor, não tendo vocabulário para expressar tudo aquilo que a machuca, muitas vezes não se sentindo confortável ou segura o suficiente para demonstrar tudo aquilo que está machucando. Tente lembrar, quantas vezes você brigou por algo que não fazia muito sentido para o outro, porém quando você começou a falar saíram inúmeras coisas de sua boca. Muitas destas vezes, você não foi capaz de se controlar, apenas falava. Algumas delas, depois de a poeira baixar, quando você já estava mais calmo, percebeu que não era bem o que queria dizer. Talvez você tenha percebido que na verdade queria ser visto, reconhecido, amado, compreendido, abraçado, enfim, no fundo o que você necessitava era de uma escuta empática.
Não fomos educados a escutar com amor ou validar o que o outro sente. Mas sim, a ignorar o que sentimos e o que outro sente, não podendo mostrar nossas fragilidades, uma vez que fazê-lo é motivo de vergonha. Na verdade, o que consideramos como vulnerabilidade é nossa maior fortaleza, é onde nossos potenciais estão a postos para voar. O que precisamos fazer é ESCUTAR COM ATENÇÃO, assim abrindo as gaiolas para que eles voem. Assim, nos tornamos mais conscientes de nossas necessidades e aprendemos a expressar o que realmente queremos e esperamos do outro.

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