Erzulie Freda

Puseram meu nome na boca
Sem que soubessem apreciar meu sabor
Confundiram com fraqueza meu pranto
Ignoraram o poder do que é dor
Adentrei, silenciosa,
Os jardins dos bananais
Atraquei na calmaria
Meu barco na beira do cais
Disseram “loucura”
Riram do meu desatino
Desdenharam do que é doçura
Subestimaram a fúria do meu desalinho
Segui, desviantes ouvidos
Peito aberto
Queixo erguido
Tateando nas sombras
Perseguindo o assobio
Tomaram-me morta
Antes abandonada
Agora esquecida
Mas enfim encontrei,
Em minha própria companhia
Enroscada em ossos, suave serpente
Carregando, pulsante, retalhado
O meu coração entre os dentes
Levaram minha imagem aos olhos
Inquietos com meu ardor
Minguaram os risos soberbos
Desejaram o meu fervor
E a lágrima, dolorosa
Sobre minhas bochechas vertida
Tinha, doce o perfume
Efeito do beijo da víbora
Despi-me da mágoa
Vesti a destreza
Deixei-os para trás
Avancei com firmeza
Passo a passo
Ao encontro de Erzulie Freda
Créditos da imagem: @necromandy
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