Ensaios: O louco e o caminho da bruxa

A autoconfiança é uma visita inesperada que bate à sua porta vez ou outra em determinados momentos da vida. Ela é aquela certeza inabalável sobre a nossa capacidade de concretizar algo, seja por meio do encantar o ao redor, seja através do tecer de um feitiço. Ela é aquela voz que ao fundo sussurra “você consegue, pode demorar um pouco, mas você chega lá”. E não há força nesse mundo que abafe essa certeza.
 
Quando olhamos para a figura da bruxa esse primeiro parágrafo evoca o ar da soberba e do poder aos olhos mais crus; mas também traz o sabor agridoce para quem já caminhou pela tortuosa via da autodescoberta. Um caminho que é trilhado no escuro da noite, na solidão das nossas emoções e no caos de nossos pensamentos.
 
De fato, a bruxa é construída à medida que se aventura na vida; que se depara com desafios e encara-os da melhor forma que pode, acumulando para si uma vitória ou um aprendizado. Mas deixando um pouco de lado a bruxa, vamos olhar para algo que nunca havia confabulado com vocês: o tarot.
 
Essa qualidade aventureira e autoconfiante pode ser encontrada em inúmeras lâminas com as mais variadas representações, mas o cerne dela encontra-se no arcano mais misterioso ao meu ver, o arcano 0. O louco é uma figura alegre, destemida e ousada que nos coloca no caminho dessa certeza tão inabalável e poderosa. Ele é o senhor da vontade que sai desbravando mundos e mapeando caminhos, sejam eles certeiros ou dúbios.
 
A sua ingenuidade e entrega faz dele um poderoso ser capaz de mover as energias mais sutis da magia e com ela tecer os resultados que deseja. É essa entrega à jornada e a falta do medo em falhar que faz dele um grande bruxo; alguém que consegue manter uma postura íntegra e pura com relação às suas capacidades físicas e espirituais à medida que se abra para a experiência. Logo, ele nunca sai perdendo das aventuras que se propõe.
 
Tanto o louco como a bruxa, sabem que a vida é uma jornada de riscos, de apostas e superações. E ao saber disso ambos transcendem a dor e a visão do fracasso, extraindo de tudo que lhes é apresentado o melhor para suas jornadas.
 
Parece fácil não? Mas claramente não é. Esse estado de ser é um exercício constante e desafiador. Ele é o próprio caminho torto, a revolução contra todos os condicionamentos mundanos nos quais somos apresentados. É o caminho da bruxa para com ela mesma.
 
Ser leve e positivo são caminhos para a autoconfiança e isso não quer dizer que você deve abraçar uma árvore e falar gratidão. Isso significa que você, não só pode como deve olhar com gentileza para a sua própria jornada e estar ciente de que enquanto você ainda for ousado para seguir em frente, não há nada que possa te quebrar a ponto de fazê-lo fracassar.
E isso meus queridos, é como uma bruxa vive seus dias.

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