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Choro guardado, mofa.

O choro é pergunta na linguagem do coração.

Ele irrompe o reino aéreo das palavras, como se não fosse nada, pra te banhar de inquietação. O choro é a primeira e mais sincera forma de comunicação. 

Quando ele sai doído questiona o que foi vivido, as escolhas, a função. E quase sempre é mais sincero que o sorriso amarelo que sai forçado e sem razão.

O choro é temido, mas de um jeito desmedido, e isso tem porquê: quando vem forte o choro esgarça, faz buraco na carcaça que é pra você saber – que seu corpo não é só terra, que da onde veio aquela, tem mar de lágrima pra conter. O choro não é bonito, não é algo colorido ou agradável de se ver. No entanto é água primária, que pede reforma agrária das entranhas do seu ser. A voz do choro é soberana, ela cala qualquer artimanha que a mente possa armar. O choro no fundo só quer espaço, só pede um pouco que o “faço” divida o protagonismo com o “estar”.

E como anda esse teu choro, anda te dando no couro, ou está muito bem guardado? Vale a pena relembrar, que mesmo antes de brotar, o teu choro é molhado. Vai guardando no armário, bem atrás do calendário, esse choro engasgado, vai guardando e esconde que quando tiver por onde ele vai ter te mofado.

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