Arquivos de Categoria: CRÔNICAS

Meu caralho de pedaço de céu

Este foi um sonho muito estranho. Encontrava-me numa caverna em uma montanha, mas esta caverna era um mosteiro, onde eu estava sentado com os outros monges traduzindo e embelezando os textos sagrados. Verdade seja dita, eu fazia esse trabalho há tantos anos que não era de se admirar que estivesse sonhando com o que eu […]

Os olhos de Cristo

O que os olhos plásticos do Cristo de cera me disseram na primeira vez que os fitei foi o seguinte: estou morto. Era impressionante como aqueles olhos em toda sua artificialidade, em toda sua falta de naturalidade, conseguiam ainda sim exprimir o sofrimento e a morte. Isso me trouxe a certeza de que a morte […]

O Sangue de Moisés fez transbordar o Mar Vermelho.

Moisés abrindo o Mar Vermelho em toda a glória do Technicolor. Hoje acordei exegeta. Literalmente. Claro que o hoje no qual escrevo não é o hoje no qual você lê, mas para fins práticos vamos fingir que seja. Não faz diferença. Acordei com um pensamento na cabeça: a divisão do mar vermelho e a passagem […]

Uma Máquina Despedaçada

Uma máquina de ossos, cartilagem, pele, sangue e (talvez) alma se arrasta por um contínuo de asfalto fervente que borbulha sussurros abismais – MAIS, MAIS! – e as chagas eclodem em vermes, moscas, aranhas e escorpiões. Tecem teias intricadas que prendem a máquina e suas engrenagens desalinhadas finalmente começam a falhar. Atrás, um rastro de […]

da Sala de Jantar

É sábio proteger-se com máscaras… nunca se sabe quando encontraremos as significações rígidas alheias para tomar uma xícara de café, ou uma cerveja barata num boteco. É preciso localizá-las bem no centro do rosto, esconder quaisquer pedacinhos à mostra, aparar arestas que nos denunciem.  Uma boa máscara funciona como um espelho das expectativas de outrem. […]

E os sapos fugirão…

Estou caindo na face pluridimensional de um Deus venerado na corrida espacial. Sinto-me bastante especial. A Terra esfria mais e mais e eu me esqueço do que é sentir calor nessas artérias entupidas de sapos engolidos que se mexem e soltam grunhidos guturais. Estou perdido em maratonas psicossociais que me obrigam a sorrir e dar […]