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A máscara em que vivemos

Assisti recentemente ao documentário A Máscara em que você vive (2015), que tenta demonstrar como a nosso conceito rígido de masculinidade é prejudicial aos homens e à sociedade como um todo. Somos condicionados, desde crianças, a vestir uma máscara para ocultar as nossas emoções e apresentar ao mundo um arquétipo de masculinidade muito restrito às manifestações de agressividade, controle e arrogância.

Arquétipo de masculinidade tóxica

O filme menciona esses três conceitos-chave, que resultam em comportamentos característicos da famigerada masculinidade tóxica:

  • Não demonstrar fraqueza: usar a violência para resolver problemas é uma das maneiras de demonstrar a mítica onipotência masculina;
  • Ostentar sucesso econômico: o que nos leva a buscar cegamente exercer controle sobre tudo e todos e a buscar desenfreadamente posições de poder;
  • Conquista sexual abundante: resulta na objetificação e degradação das nossas parceiras e parceiros, e na cultura do estupro.

Falhar em um ou mais desses itens gera um sentimento de “castração”, como se não fosse permitido ser homem em nossa sociedade fora desses padrões. E, ao sermos destituídos dessa masculinidade, ficamos à mercê da brutalidade estrutural que nós mesmos ajudamos a erigir.

E, quando somos submetidos a esse ostracismo, quando nos sentimos injustiçados ou quando algo ou alguém nos faz mal, somos compelidos a fazer algo ainda pior para, nas palavras de um dos entrevistados do documentário, “vingar a humilhação que sofremos”.

Usar essas máscaras leva a uma deturpação nociva da nossa personalidade e à uma solidão imensurável. Já que, no contexto dessa masculinidade doente, não se pode procurar ajuda ou se abrir com qualquer pessoa, para não demonstrar fraqueza, insucesso ou impotência. Afinal, temos que “virar homem!”, endurecer e lidar com o que vier.

Mas não precisa ser assim! 

Todas as semanas nos reunimos no Arco de Ulisses, um espaço de acolhimento e compartilhamento de experiências que nos permite nos despir dessas máscaras que escondem nossos medos e inseguranças e nos impedem de curar as nossas feridas. Para reconstruir, juntos, a masculinidade e redescobrir novamente a integridade que nos torna homens. 

Assine o Espelho de Circe no Catarse e venha participar!

Arco de Ulisses

Os encontros do Arco de Ulisses acontecem por Zoom, todos os domingos às 19h BRT, exclusivamente para homens assinantes do Espelho de Circe no Catarse. As mulheres assinantes participam da Roca das Moiras na mesma data e horário. Quem ainda não é assinante, pode participar da Taberna dos Argonautas, todas as terças-feiras, às 20h BRT para conhecer o pessoal e ter a plena certeza de que precisa correr no Catarse para assinar logo! 

One thought on “A máscara em que vivemos

  1. Rosana Martinez says:

    Mais um ótimo texto, agora sobre um tema tão necessário que aponta para o cerne da discriminação de gênero e consequente violência doméstica tão presente em nossos dias.

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